UTOPIAS GLOBAIS

Entrega dos artigos: 10 de Maio 2021

Saída do número: Junho 2021

Envie a: redazionethomasproject@gmail.com

Invited paper: Prof. dr. José Eduardo Franco

Ao longo da história, muitas foram as utopias que pretenderam ter um alcance “global”, isto é, um alcance direcionado à humanidade como tal e não só a uma parte dela. Existe, portanto, uma vertente universalista intrínseca à utopia. Como tal, o pensamento utópico, assim como as configurações espirituais, políticas ou artísticas, baseia-se sobre pressupostos antropológicos diretamente relacionados com a mundivisão que uma determinada época tem de si mesma ou que alguns autores, por vezes às margens daquela época, pensam poder ou dever ser alcançada pela humanidade no seu todo.

Esta vertente “global” da utopia implica, muitas vezes, desenhos utópicos que, se realizados, podem virar do avesso a intenção dos autores, tornando a imagem de uma forma de vida feliz numa prática totalitária: é aqui que, muitas vezes, encontramos o risco de muitas utopias tornarem-se próximas de formas distópicas, quando não totalitárias.

Contudo, é através desta vertente da utopia que encontramos – através de formas de escrita explicitamente críticas ou através de forma satíricas – aquele espírito direcionado à libertação das partes mais frágeis da sociedade e a uma compreensão abrangente dos problemas humanos. Não é, pois, por acaso que os movimentos políticos e espirituais, assim como muitas das declarações nas quais se baseiam os “direitos humanos” – tal como a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) ou a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) – são filhas do espírito utópico da cada época, para além de o serem também, obviamente, das suas tragédias históricas.

Estudar esta vertente universalista da história da utopia significa, portanto, estudar as muitas formas através das quais uma sociedade pensa para além de si e para além dos seus limites e das suas fraquezas. Neste sentido, também a nossa época globalizada é filha de utopias globais, filosóficas, políticas, espirituais, tecnológicas e científicas.

Uma das mais recentes linhas da reflexão histórica foca-se, por exemplo, na compreensão da “globalização” como resultado principal da modernidade. Nos últimos trinta anos assistimos à aparição de uma série de fenómenos, cuja rapidez e novidade estão bem longe de serem plenamente assumidas. Por um lado, a brutal aceleração tecnológica digital e a viragem financeira da economia capitalista; por outro lado, a aparente criação de um mundo caracterizado por formas de vida e desafios cada vez mais comuns à humanidade inteira.

A própria “globalização” e os fenómenos globais que caracterizam a nossa civilização contemporânea trazem consigo, portanto, imagens de utopias globais passadas, ao mesmo tempo que produzem outras formas de utopia global.

Este número pretende, portanto, incluir artigos direcionados à compreensão desta temática, particularmente nas seguintes sub-areas:

– formas e imagens de utopia global;

– utopias globais contemporâneas;

– utopias globais no pensamento utópico moderno;

– a globalização como utopia e distopia;

– formas e história da cidade global.

Os artigos podem ter uma abordagem filosófica, literária, artística, teológica ou política, podendo serem escritos nas cinco línguas da revista: italiano, português, inglês, francês e espanhol.

Regras editoriais: aqui

Organização do processo editorial:

10 Maio: submissão dos artigos; 

10 Maio – 5 Junho: processo de peer-review; 

18 Junho: submissão dos artigos definitivos; 

18 Junho – 28 Junho: revisão editorial; 

Junho / Julho 2021: saída do número.